segunda-feira, novembro 05, 2007

Sua Nota Vale um Filme!



Para primeira noite do projeto, considero um sucesso.



Pra quem não sabe, apartir de agora a Concha Acústica do Teatro Castro Alves sempre se transformará numa enorme "sala de cinema". A maior da cidade, sem dúvidas. O lance é, aproveitar a mesma idéia do programa Sua Nota é um Show para beneficiar e popularizar as produções cinematográficas. A mecânica é a mesma: troca-se dez cupons ou notas fiscais na bilheteria do TCA ou nos balcões da Ticketmix, do Shopping Barra ou do Aeroclube e
é esse o passaporte.

No último domingo (04), estréia do projeto, os filmes apresentados foram Noite de Marionetes, de Haroldo Borges e Saneamento Básico, de Jorge Furtado. Um curta baiano promovido por edital do Minc e um longa gaúcho, com produção da Globo Filmes. Duas realidades distintas, mas que geraram entretenimento a adultos e muitas crianças que ocuparam mais de 2/3 da Concha.

O som estava bom, a projeção perfeita e o público emocionante.








Noite de Marionetes - o curta-metragem baiano de abertura do evento, recém premiado no festival de Cabo Frio, trata do encontro de duas solidões: um palhaço e uma prostituta. A platéia de uma Concha Acústica, já bastante cheia, de um modo geral era silenciosa. Apenas alguns comentários que espocavam aqui e ali. O que causava essa inquietude era a locação do filme: "parece a Ribeira!", "Com certeza é na Cidade Baixa!". Esses desatentos, talvez perderam a apresentação do filme, mas me pareciam bastante extasiados em reconhecer um pedaço de seu chão na grande tela.

Pude perceber a quantidade de pessoas envolvidas com o audiovisual baiano presente ao local. Era muita alegria ver aquele mundo de gente como espectador e quase posso granatir que dali se tirou muita esperança ao futuro da produção cinematográfica do Estado, pelo menos no que se diz respeito à presença de público.

O melhor pra mim foi ver a cidade alta e baixa conjugando o mesmo espaço. É um tanto subjetiva essa afirmação, mas também de forma subjetiva se percebia a diferença. Naquele momento não importava, todos aspiravam o ar da mesma cultura.




Como o carro chefe era o filme do agora global Jorge Furtado, gaúcho, diretor do premiadíssimo Ilha das Flores (quem ainda não viu, que corrija o mais urgente essa falha no caráter), Saneamento Básico arranca graça e propõe entreter fazendo pensar. Para mim, o filme é um manual prático de como é o cinema por dentro para aquelas pessoas que justamente só conhecem a coisa pronta e de repente, manda até um recado de que qualquer pessoa pode fazer um filme, desde que trabalhe em equipe e se dedique com amor ao que acredita.

O pano de fundo é a necessidade da construção de um(a) fosso(a) numa comunidade do sul do país, cansada de esperar essa atitude por parte de qualquer governo. E ai entra a história da arte ajudar a modificar realidades, continua o diálogo. Observamos isso nas cenas engraçadas, situações freaks e momentos de profundas declarações de amor ao que se faz, ao seu lugar e as pessoas próximas.

Então, domingo foi dia de cinema na Concha Acústica e essa data me fez remoçar aos tempos em que passeando pelo interior do Estado, via filmes nos lugares mais inóspitos, de pouco ou nenhum conforto. Época em que a Sétima Arte era mais popular, mas sem dúvida o novo projeto que faz dirimir a sonegação de tributos através de sessões de cinema me a negar a máxima de que o povo só aplaude arte da mesmice. Ponha-o em contato, garanta-lhe o acesso e ele certamente prestigiará.

Que o projeto se transforme rápido em programa.